Entrevista

Suely Façanha partilha sua história

Suely Façanha, ministra de música e consagrada da Comunidade de Vida Shalom, é natural de Fortaleza (CE), casada e mãe de três filhos.

Em entrevista ao cancancaonova.com, a missionária relatou como concilia sua missão de mãe, esposa e o ministério dentro da comunidade, seu sustento e força. E convidou: “Não tenha medo de constituir uma família. Que você deseje construir uma família!”.

Suely Façanha - Ministra de música da Comunidade shalom

Suely Façanha – ministra de música da Comunidade Shalom

Confira o testemunho dessa grande cantora católica, dona de uma das mais belas vozes do país:

cancaonova.com: Sempre ouvimos dizer que todo músico é sensível. Uma musicista é ainda mais sensível? Como trabalhar essa sensibilidade?

Suely Façanha: Todo artista é sensível. Se assim não o fosse, ele não produziria arte, não captaria o que está além das aparências, porque a arte não é produzida pela razão como a matemática.

Se um médico precisa ser sensível àquele que está diante dele para tratá-lo com respeito e dignidade, o artista é aquele que capta, pela emoção e contemplação e por sua sensibilidade, uma linguagem que expressa seus valores, suas crenças, seu coração.

Eu sou uma artista católica, uma cantora da fé, pois isso o que expresso é a minha fé em Jesus Cristo e na Igreja. Minha fé num Deus que ama e, por isso, deixou sua casa para habitar entre nós e nos dar a vida, que morreu e ressuscitou, e, exatamente por isso, nos deu acesso à eternidade.

Lidar com a sensibilidade requer autoconhecimento, paciência, oração, coerência de vida, capacidade de suportar a dor de se relacionar, de permanecer firme quando as frustrações vêm. Amadurecer diz respeito a tudo debaixo do sol. Nós artistas da fé precisamos pedir a Deus a graças de avançarmos nesse caminho, pois seria desastroso levarmos o nome de Jesus no peito e darmos um testemunho contrário.

Precisamos contar uns com os outros, pois é assim que se vive neste mundo. Não podemos também exigir das pessoas o que elas não podem nos dar. É preciso olhar além das aparências e ver que Deus é maior que tudo, que nossa sensibilidade é uma porta de transcendência e não a causa de todos os males.

Cito aqui a iniciativa da Canção Nova de sempre nos oferecer um Congresso para Músicos. Isso ajuda muito em nosso crescimento e amadurecimento como pessoas.

cancaonova.com: Quais as virtudes que você reconhece em si e que a tornam uma mulher virtuosa?

Suely Façanha: Prefiro dizer: “Quais as virtudes que você desejaria ter para ser uma mulher virtuosa?”. Acho que o nosso modelo é Maria, a Mãe de Jesus. Desejo seu silêncio, sua oração, sua intimidade com Deus, sua ousadia quando diz: “Façam tudo o que Ele vos disser!”, sem Jesus ter dito nada. Ela já supunha que Ele faria algo e se adiantou. Desejo sua capacidade de sofrer e permanecer de pé.

Entendo que a vida é uma escola e tenho aulas todos os dias. Não desejo ser vista pelos outros com uma mulher virtuosa, muito menos ser considerada assim. Desejo apenas que Deus se agrade de mim, e confio que Ele me olha com misericórdia. Isso me basta!

cancaonova.com: O que você diz sobre a maternidade? Quais são os desafios que você já enfrentou como mãe?

Suely Façanha: Maternidade é uma das coisas mais belas da vida. Sou muito feliz de ser mãe e de ter três filhos lindos! Eles se chamam, Rafael, 8; Felipe, 7; e Isabela, 4 anos. Educar é uma arte, porque exige tempo, maturação, paciência e amor. Preciso me educar primeiro para educar o outro. E isso é um grande desafio, pois quando vejo, já fiz, já disse, já gritei, já puni. Quando descubro que haveria outras formas de resolver a situação, mas eu escolhi a alternativa errada, é uma grande dor, dor de não ter amado, de ter ensinado o que não deveria ser feito ou copiado. Mas, nesse caminho, algumas verdades me consolam. A primeira é “que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus!”. Creio que meus erros os educam, pois peço perdão aos meus filhos por ter gritado ou sido grosseira com eles. Mesmo que alguns digam que posso perder a autoridade com isso, não penso assim! Prefiro ensinar que se deve voltar atrás quando se erra, que defendo uma autoridade que é minha e é natural só pelo fato de os ter gerado.

Creio que amanhã pode ser melhor! Ou seja, se hoje não foi um bom dia, amanhã vou tentar recomeçar, vou tentar acertar, vou me esforçar mais.

Uma das coisas que me atrapalham muito é o estresse, a correria, o pouco tempo para fazer tantas coisas. Não consigo curtir as crianças, as tarefas da escola, as diferenças de um filho para outro. Mas aqui exercito minha fé e sigo adiante, pois amanhã pode ser melhor. Então, passo na cama deles, lhes dou um beijo e digo: “Meu filho, mesmo na correria, eu te amo muito! Eu acredito em você e sei que é capaz de realizar tal coisa! Conte sempre comigo! Você é um presente de Deus para mim!”.

Um grande desafio que enfrentei foi a minha inexperiência. Não sabia pegar nem cuidar de criança. Quando me dei conta, tinha um bebê nos braços e era meu; sem direito à devolução nem manual de instruções! Mas, com o tempo, tudo se arranjou e foi maravilhoso receber outro e depois mais outro. Amo meus filhos!

Ao longo desses anos como mãe, tenho procurado sempre refletir como crescer. A comunidade me ajuda muito, porque convivemos com muitas experiências diferentes, temos formação constante, e elas nem precisam ser direcionadas aos filhos. Como mãe, tudo eu reverto para o meu aprendizado e exercício da maternidade. Estar constantemente atenta, numa atitude de amor que não se cansa, ajuda-me a aprender pelo menos o necessário e o indispensável para corresponder ao amor de meus filhos.

cancaonova.com: Para você o que é essencial na sua vida como mulher?

Suely Façanha: Para mim, o essencial é minha vocação que me põe sempre no rumo certo e me ajuda a ter lucidez para viver cada dia. Minha vocação, minha comunidade, minha consagração e a convivência com os irmãos me ajudam a andar sempre com os olhos voltados para a meta e a ter foco. E minha meta é o Senhor.

Você é mãe e esposa. Como vive a missão de mãe musicista dentro de uma comunidade ?

Suely Façanha: Essa pergunta sempre me acompanha e a resposta é sempre a mesma. Faço o melhor que posso em cada momento que Deus me dá para viver, consciente de que não sou mais 100% como antes de casar [com o ministério], sou 100% como mulher casada e mãe, que se desdobra da hora que acorda até a hora que vai dormir. Algumas vezes, até na madrugada, quando as crianças estão doentes.

cancaonova.com: Deixe uma mensagem aos internautas.

Suely Façanha: O que teria a dizer para você, meu irmão que me lê agora, é que o casamento é uma vocação. Não tenha medo de constituir uma família. Que você jovem deseje construir uma família! Laços sem compromisso só tiram pedaços de nós e não nos enriquecem em nada. Quando chegarem os anos e olharmos pra trás, vamos dizer: “Não construí nada e agora não há mais tempo!” A realização da pessoa humana está no amor, na vivência do amor! E amar é se esquecer de si, é doar-se e também receber amor! Mas nunca tirar pedaços, provar o outro e depois descartá-lo como lixo. O amor verdadeiro envolve compromisso, oferta e decisão! Vale a pena! Eu sou feliz!

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