O que a transfiguração ensina para o músico católico?

A transfiguração do músico: um chamado ao monte na Quaresma

Olá, querido irmão e amigo, companheiro de ministério!

Nesse segundo domingo da Quaresma, temos muito a aprender com o Evangelho. São Mateus vem falar a nós da transfiguração de Jesus: “O rosto do Senhor brilhou diante deles”. Podemos perguntar: Deles quem? Diz o evangelista: de Pedro, Tiago e João. Não foram os 12, não foi a multidão.

Jesus quis separar alguns para vê-Lo de uma forma diferente dos demais. Para ver quem Ele era. E, nesta semana, Ele quer chamar o músico para ir ao monte com Ele.

Nós músicos sempre cantamos as maravilhas de Deus, incentivamos as pessoas a rezar, a acreditar, a louvar, a adorarem etc. Porém, corremos o risco de cairmos no automático. Estamos tão acostumados com as graças de Deus, tão acostumados a ver Jesus agindo, que já não cantamos com o coração.

Créditos: Arquivo CN.

O perigo de “montar carros” sem ter um veículo

Fazemos com perfeição, mas já é um costume fazer bem feito. Recordo-me de quando eu trabalhava em uma linha de montagem de uma empresa automobilística. Eu me acostumei a fazer o serviço bem feito, entregava 200 veículos por dia. Porém, quando eu saía da empresa, não tinha um veículo daquele para andar. Você me entende?

Nessa segunda semana da Quaresma, Jesus quer que experimentemos a graça, a ponto de ficarmos atordoados com tanta bênção de Deus.

Identificando os inimigos da canção: vaidade, orgulho e soberba

Não é verdade que quando tocamos naquele momento de pura manifestação da graça de Deus, queremos servir mais e mais, e nem pensamos nas consequências? Foi isso que aconteceu com os discípulos, era tamanha a manifestação do Senhor que eles nem pensaram neles mesmos. (“vamos fazer três tendas, uma para Jesus, ou para Moisés e outra para Elias…”).

Não houve espaço para vaidade, orgulho, muito menos soberba. Reparou que Jesus quer nos levar ao monte para que sua glória nos livre da vaidade, do orgulho e da soberba?

Três pecados onde uma das consequências é: acostumar-se com o extraordinário! Outra consequência é: Servir ao Senhor dos senhores e sair da Sua presença o mesmo ou até pior do que entrou… Você se recorda do meu exemplo? Trabalhei em 200 veículos, mas não possuía nenhum.

Ele se transfigurou mostrando Sua santidade aos discípulos, mas também quer nos convidar a uma transfiguração em nossa vida para que o resultado seja: uma vida mais autêntica, buscando a santidade com mais força, diminuindo as brechas para as pequenas vaidades, o orgulho que tanto escraviza o músico católico e a soberba que tanto impede o músico de ser um humilde servo de nosso Senhor.

Voltando ao Evangelho, enquanto Pedro fala sobre montar as tendas, uma nuvem os cobriu. E a vós se fez ouvir: “Este é meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o”.

Qual foi a reação dos discípulos nesse momento? Prostraram-se e caíram por terra!

Jesus, no alto do monte, quer que eu e você também possamos escutar a voz forte dizendo que além de servir a Deus pela música, devemos escutar seu Filho amado.

Ou seja: Não basta servir, é preciso escutá-lo!

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Além das notas: onde realmente ouvimos a voz de Deus

Como escutamos o Senhor? Através das notas do instrumento? Não! Esqueça o instrumento… Ele é somente uma ferramenta. Ouvimos a voz de Jesus pelo Evangelho, pela missa, pela oração e pela intimidade com Ele!

Esta semana, o convite é para subirmos ao monte. Lá, até podemos tocar, cantar, mas não é para isso que Jesus quer nos levar. É tempo de intimidade, de oração, de abandono, de confiança, de desprendimento, de humildade.

De espectador a testemunha viva da glória

Jesus quer nos purificar desses 3 pecados, para que possamos não só cantar mas testemunhar sua glória. Descer do monte e cantar um canto cheio de vida! Vida que se viveu e que se tornou testemunho.

Canto os louvores do Senhor, experimento da sua graça, converto meu coração e me torno testemunha viva, resultado: Um verdadeiro ministro de música!

E por fim, Jesus pediu que não contassem nada sobre isso até que Ele ressuscitasse. É uma experiência que não deve ser esquecida, e deve ser guardada como um tesouro. Que se renovará a cada servir, a cada tocar e cantar. A glória dele se manifestará, mas nós não seremos mais só expectadores, também entraremos na nuvem de glória com Ele, para sermos renovados e libertos da vaidade, do orgulho e da soberba.

Até que Ele volte.

Vá ao monte com Ele essa semana e veja sua glória.

Seu irmão,

André Florêncio
Músico e Membro da Comunidade Canção Nova

 

 

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