Uma reflexão sobre Domingo de Ramos para que o serviço musical seja reflexo de uma entrega interior verdadeira.

(Procissão de Domingo de Ramos/ Foto: Humberto Gomes da Silva)
O Domingo de Ramos é a celebração que inicia a Semana Maior, a Semana Santa, marcada por um clima de festa do povo que acompanha Jesus com os ramos até Jerusalém, entoando: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”, “Hosana ao Filho de Davi!”. Porém, o centro dessa reflexão sobre Domingo de Ramos já é a Paixão do Senhor, mostrando a dualidade do povo, que ora estava com ele, e depois o abandonou.
Existe um crime presente na Paixão que envolve todos tipos de pecado. Recebemos o Deus que se fez homem e O matamos. O Deus que só merecia amor, por nos ter dado amor, recebeu, no lugar, bofetões, cusparadas e o ódio de toda a humanidade pecadora.
Na Cruz de Cristo, estavam presentes todos os pecados do mundo: do Antigo Testamento, do Novo Testamento, da Idade Média, da Era Contemporânea, o meu pecado, e o seu pecado.
Para muitos, chega a ser até considerado um show de horrores, por ter muitos momentos que não são bonitos de se ver. Porém, o que existe a mais na Paixão de Cristo é uma Luz, e só é possível enxergá-la através da Luz da Fé, capaz de revelar a beleza por trás de todo o sacrifício de Cristo por nós.
No momento da Paixão, os soldados tiveram um reflexo dessa luz. Percebendo que, depois de terem agredido Jesus de todas as formas e Ele ter aguentado até o fim, exclamaram: “Ele era mesmo o Filho de Deus” (Mateus 27,54).
A caridade divina como resposta às nossas ofensas e pecados
O amor de Cristo na Cruz foi infinitamente maior do que qualquer ofensa do mundo. Jesus tem a plenitude do amor e da caridade; ao receber todas aquelas ofensas, o Amor de Cristo supera todo o ódio e toda a desgraça.
“Nós somos os soldados romanos que transpassaram o coração de Jesus com a lança dos nossos pecados, mas Jesus é aquele coração humano cheio de caridade divina, que dá a nós o amor que não merecemos”. (Meditação do Padre Paulo Ricardo sobre o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor de 2021).
A dualidade humana na prática a serviço do dom
A dualidade do povo Judeu é a nossa dualidade, de ora estarmos com Jesus, e ora o abandonarmos. Essa reflexão sobre Domingo de Ramos nos mostra que, quantas vezes a serviço do altar, através do dom de cantar e tocar no ministério, é possível viver essa dualidade. A vida espiritual do músico tem reflexo direto na reta intenção do coração de se ofertar para Deus. É muito fácil colocar o ego do dom acima da adoração que Deus merece. A dualidade acontece na vida prática do músico, bem como no seu cotidiano.
A humanidade até abandonou a Cristo, mas Cristo jamais abandonou a humanidade.
O início da Semana Santa deve nos levar a uma profunda reflexão e um ardor à mudança de vida. O convite do Domingo de Ramos é estarmos unidos a Jesus na alegria, entoando “Hosana ao filho de Davi!”, e na dor, no luto, no sacrifício: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”. Seja aquele que escolhe permanecer com Jesus até o fim.




