Música

O músico precisa ser humilde

A maioridade da fé: o poder de Deus na pobreza de espírito

Dentro da Renovação é muito comum alguém dizer: “Posso testemunhar a minha cura e a conversão do meu filho que saiu das drogas”. São fatos lindos, não nos restam dúvidas, mas isso é apenas a “casquinha” do poder de Deus. Tudo o que aconteceu conosco e com os nossos, e acontece nos grupos de oração e grandes encontros, é apenas uma pequena amostra do poder de Deus. 

Não experimentamos ainda o que Paulo diz: “Também a minha palavra e a minha pregação não se apoiavam na persuasão da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito” (1Cor 2,4), nem aquilo que o próprio Jesus deixou em Atos: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8).

Créditos: Arquivo CN.

No Brasil, a Renovação começou em 1970. Tive a graça de ter recebido o batismo no Espírito no dia 2 de novembro de 1971, portanto, são 27 anos de Renovação, que já está na sua fase adulta.

Deus quer que, realmente, a Renovação assuma a sua posição de maioridade. Que maioridade? De sermos pobres, o pobre do Evangelho: “Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3).

O Reino de Deus é o lugar em que Ele exerce a sua autoridade, manifestando seu poder e realizando prodígios, sinais, milagres. É Deus exercendo a sua justiça, manifestando sua verdade. Enfim, é Deus sendo Deus, Rei e Senhor neste mundo.

O Reino de Deus é a realização plena do que pedimos após essa petição do Pai-Nosso: “Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu”. Que a vontade de Deus no Céu se realize também nesta terra.

Onde o Reino se manifesta: a condição da humildade

O Reino de Deus acontece sempre e somente onde reina o Senhor, onde Ele manifesta o seu poder, a sua glória, onde Deus se manifesta Deus. Ele quer o seu Reino entre nós. Para isso, quer-nos muito pobres, humildes, esvaziados, a fim de ver o seu poder se manifestar por meio de nós.

Não há Reino de Deus sem pobreza, e não me refiro à pobreza material, e sim a pobreza bem-aventurança, a pobreza de coração. Não há poder de Deus sem pobreza. A própria Escritura diz que Deus tem aversão ao soberbo, ao orgulhoso, sente náuseas diante do autossuficiente. Deus ama e atrai para si o humilde, e é com Ele que age.

Maria: o modelo máximo de baixeza e poder

O poder de Deus nunca se manifestou tanto como em Maria. Em seu seio, foi concebido por obra do Espírito Santo, o Filho de Deus. E Ele feito homem se fez carne, foi gerado e dado à luz por ela. “O verbo se fez carne e habitou sobre nós”.

Podemos fazer uma avaliação errônea e concluir: o poder de Deus não se manifestou em Maria; ela não fez milagres, não curou ninguém, não multiplicou pães, não andou sobre as águas. não expulsou demônios… Desse modo, medimos muito mal o poder de Deus. Maria concebeu por obra do Espírito Santo, gerou a deu à luz o Verbo de Deus porque nela houve o máximo de pobreza, bem como o máximo do Reino de Deus.

Somente no ventre de uma mulher totalmente humilde e pobre, o Verbo Divino se faria carne e habitaria entre nós. Ela disse: “O Senhor olhou para a baixeza de sua serva”. Baixeza é o contrário de grandeza. Deus só olha a baixeza quando vê baixeza. Se estou em cima, Deus não verá baixeza.

Maria não proferiu apenas um termo poético: Deus olhou a baixeza de sua serva. Realmente, ela se via pobre, sentia-se assim: “Só Deus mesmo para olhar a baixeza da sua serva, e o Senhor fez em mim maravilhas”. Quem é pobre se admira do poder de Deus. Ele reconhece as suas maravilhas.

A relação entre a pobreza espiritual e o fluir do louvor

Quando reconhecemos o poder de Deus, sempre nos admiramos, e então vêm a gratidão e o louvor. Começamos a louvar, glorificar. Se você se sente árido para o louvor, é porque está se sentindo muito grande, muito alto; não está vivendo a baixeza da serva, e sim a grandeza. Por isso você não sente o louvor fluir, nem o impulso para agradecer. 

O grande e o rico de espírito têm dificuldade de louvar. Eles são possuídos por si mesmos. Com tais características, o louvor não vem, já que ele é resultado da baixeza, da pobreza de espírito. As palavras “O Senhor fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome!”, vindas do coração, valem mais que: “Eu te louvo, Senhor, na minha baixeza!” que, no fundo, não é baixeza.

Sentindo-se pequeno e vendo as maravilhas de Deus, você se admira: “Mas como Deus é maravilhoso! Só Ele poderia fazer isso.” Daí vêm a gratidão e a expressão: “Eu te louvo, Senhor!”. A sua admiração será louvor, mesmo que você não consiga dizer nada.

Trecho extraído do livro “Músicos em ordem de batalha“, de Monsenhor Jonas Abib.

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