Carta aos Artistas

A autenticidade do artista de Deus tem um preço

Na segunda matéria sobre a “Carta aos Artistas”, Ana Lúcia fala sobre o tema: “Autenticidade do artista de Deus: há um preço a pagar!”

“Todo homem recebeu a tarefa de ser artífice da própria vida: de certa forma, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-prima” (“Carta aos Artistas”).

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Assim nos chama à reflexão São João Paulo II na “Carta aos Artistas”. E hoje eu o convido a continuar refletindo sobre esta carta, cujo conteúdo é um verdadeiro tesouro. Sem dúvida alguma, a vida é a maior obra de arte que podemos compor para homenagear o maior dos Compositores, o próprio Deus. De Deus nos vem a capacidade de livremente escolher a forma, a cor e o sentido de nossa vida. Já o artista, ao elaborar um novo trabalho, precisa “agir segundo as exigências da arte”, procurando um resultado final de maior perfeição. E por mais belo que este seja, o resultado não indica nem a moral nem o caráter do autor. Uma coisa é compor a vida. Diante das provações ou dos momentos de calmaria, pouco a pouco vamos imprimindo nossa identidade. Outra coisa é uma canção, uma pintura ou uma escultura, entre outros.

“Mas, se a distinção é fundamental, importante é igualmente a conexão entre as duas predisposições: a moral e a artística” (“Carta aos Artistas”).

Veja Parte I :

.: O que podemos aprender com a Carta aos Artistas?

Apesar de não obrigatoriamente a arte exprimir seu criador, é quase impossível o artista não dar um pouco de si quando se dedica a ela. Certa vez ouvi um compositor católico dizer que cada música, para ele, é como um filho que nasce, o qual, no decorrer do seu crescimento, vai se revelando.

“Sabiamente quando o artista plasma uma obra-prima, não dá vida apenas à sua obra, mas, por meio dela, de certo modo manifesta também a própria personalidade” (“Carta aos Artistas”).

Fica um pouco de nós no que fazemos, e aquilo que trazemos no coração se imprime em nossa arte. Quantos artistas sublimam o momento de maior dor de suas vidas exercitando sua arte.

Aqui chegamos a um ponto nevrálgico da carta: quando nossa arte está a serviço de Deus não dá para cantar o que não vivemos. No caso, eu me refiro à música, porque é o ministério que exerço, mas você deve se analisar dentro da sua vertente. Não há maquiagem que consiga disfarçar o coração vazio de um ministro de música. Abro parênteses para falar daqueles que, não tendo o coração cheio de Deus, se valem da espiritualidade de outros artistas e, assim, difundem a cultura do plágio. Plágio de melodia, de letras (que cada vez mais usam as mesmas frases feitas), de estilo, de forma de ministrar a música, de postura…Já percebeu que muitos têm entrado numa forma? Para falta de autenticidade espiritual o plágio pode ser um remédio rápido, contudo ele não leva salvação às pessoas.

“Onde está o teu tesouro, aí estará o seu coração” é o que nos ensina a Palavra de Deus. O artista que se dispõe a evangelizar com sua arte precisa constantemente encher seu coração de Deus com uma espiritualidade ativa e constante, ou dará apenas de si para os outros. Ou pior ainda: se contentará em imitar aquele que teve algum êxito.

Para levar o amor de Deus com minha música, eu me exercito muito! Preciso suar! Como na academia, é preciso constância, disciplina, determinação. Na espiritualidade não pode haver comodismo, é preciso rezar, se aproximar de Deus, colocar constantemente a sensibilidade de artista aos pés da cruz, porque a vaidade, o orgulho e o egoísmo nos perseguem.

Estamos em constante batalha contra nós mesmos e contra o mal. O soldado destreinado é golpeado no início do combate, por isso nós precisamos constantemente treinar e nos esforçar para sermos eficazes na luta.

A arte atinge o coração do homem de forma esplêndida! Como ensina monsenhor Jonas Abib, essa expressão é como flecha certeira. Não podemos errar, por intermédio de nós muitos precisam encontrar a Deus de forma a ter a vida totalmente transformada, e não sabemos quantas chances teremos para isso. É preciso acertar! É questão de salvação ou de morte eterna.

A sua arte pode ser canal de salvação ou de pecado, só depende da sua fidelidade!

Deus o abençoe!

Ana Lúcia Biajoni

Missionária da Canção Nova e ministra de música

 

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