O ritmo da música litúrgica durante a Quaresma

Quaresma, um tempo de pausa. Pausa para uma revisão de vida, para o recolhimento, para adentrar em um tempo propício à conversão. Para grandes acontecimentos, costumamos nos preparar e, oportunamente, este é um tempo para uma boa preparação através da prática do jejum, da caridade e da oração, rumo ao ponto ápice da nossa vida cristã. Neste período, a função do músico, do instrumentista, se torna extremamente importante, pois eles devem “reger” os fiéis e guiá-los no ritmo que a própria liturgia conduz.

A partir da Quarta-feira de Cinzas, um itinerário nos leva até a Páscoa. A Igreja (templo) se reveste da cor roxa para levar os fiéis à reflexão e à penitência. Saímos do Tempo Comum e adentramos em um novo tempo litúrgico. Repare que tudo muda. O ministro da música também acompanha essa mudança pois, ele  não é chamado apenas a “tocar” na Missa mas, a ministrar a música na Missa, e cada canção deve também transmitir este sentimento de recolhimento. A música ministrada de modo adequado, através das ondas sonoras produzidas pela madeira, pelos metais, cordas e percussão, unidos à destreza e sensibilidade do músico, é capaz de elevar, mais facilmente, os corações a Deus.

Os instrumentos, especialmente, os percussivos, normalmente, se destacam em meio aos demais instrumentos, obviamente, pelo volume causado pela agitação, pelo seu impacto, pois eles têm essa função de dar ritmo. Contudo, isso não quer dizer que, durante a Quaresma, por ser um tempo mais introspectivo, os músicos percussionistas, bateristas, por exemplo, devam ficar “de fora” da celebração. Pelo contrário, eles devem aproveitá-la, ao máximo, para ter um maior foco no Evangelho, na Sagrada Escritura, e conduzir o ritmo de acordo com a liturgia quaresmal, seguindo no mesmo compasso de cada celebração. De modo prático, recomendo usar vassourinhas (as mesmas utilizadas em Jazz) para ter uma sonoridade mais tranquila e, se possível, pratos que não abram muito (sustain). De modo particular, para os bateristas que atuam nas comunidades católicas, é bom sempre conversar com o seu pároco para saber se podem conduzir, harmonicamente, a bateria nesse tempo.

Os músicos, além de terem uma harmonia instrumental em grupo, devem ter também uma harmonia íntima e espiritual com Deus pois, ele é como uma ponta de lança que rasga o coração do ouvinte e transmite o que transborda de dentro do seu coração, a partir de uma experiência que, primeiro ele vive e, depois, transborda. 

Boa Quaresma!

 

Sérgio Loyola

Músico baterista do Ministério Forronaré e do Ministério Jovem Canção Nova

 

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