Por evangelizadores mais humanos!

“Porque a vida real é difícil demais de ver estampada”

Eliana Ribeiro desceu do palco. Desceu e andou entre os músicos e disse algo como: eu sou como vocês.
Aconteceu em um acampamento de músicos da Canção Nova. Eu não estava lá ma acompanhei pela televisão. E lembrei das palavras de santo Agostinho: para vocês sou bispo. Com vocês sou cristão.

Vivemos a era do broadcast íntimo e pessoal. Transmitimos nos “stories” das nossas redes sociais a vida que queremos que o outro conheça. Porque a vida real é difícil demais de ver estampada mesmo na tela pequena do nosso celular.

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Foto:WesleyAlmeida/cancaonova.com

Todo evangelizador é também um cristão cheio de dúvidas, fracassos e ambições. Todo evangelizador é um ser humano, do alto de suas potencialidades e limitações. Expor uma e varrer a outra para baixo do tapete da web é a melhor maneira de harmonizar essa tensão?

Não por acaso de todos os livros (e foram muitos!) escritos por santo Agostinho, o mais popular é o que se chama “Confissões”. Nele, mais do que se acusar por delitos cometidos, Agostinho narra sua trajetória exterior e interior em busca da verdade. E por ela sacrifica mesmo uma imagem já consolidada apesar da sua idade. Não lhe interessa o reconhecimento de sua inteligência e sabedoria, de seu valor e conhecimento. O que Agostinho confessa é o mesmo que João diz aos apóstolos: existe alguém maior do que eu do qual não sou digno de desatar as sandálias.

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Ah, mas quantos príncipes evangelizadores! Desses que pincelam sua imagem, fazendo até seus defeitos parecerem adereços. E viva a voz empostada, a pausa dramática, as citações descontextualizados! Príncipes evangelizadores de Photoshop e Autotune.

Impossível não lembrar do poema de Fernando Pessoa em busca de alguém que confesse aberta e desinteressadamente (acima de tudo – sinceramente!) um deslize. Não cabe o dedo em riste em crítica, até porque a única critica que acredito seja a auto-critica. Não desejo que como o poeta o artista evangelizador saia por aí confessando sua preguiça em tomar banho. Mas fica uma reflexão. Somos capazes de descer do palco? Não como um recurso para impactar a assembléia mas como uma expressão da verdade que buscamos e já possuímos dentro de nós?

Assim, quem sabe um dia, nossos perfis sociais nas redes em conexão possam traduzir e atualizar de maneira mais honesta e forte o desejo daquele homem no século IV: para vocês sou artista, com vocês cristão.

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