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Pouco tempo com a família: o que isso quer dizer?

Os benefícios do tempo que o músico investe na convivência com a família

 

Nesse mês de setembro de 2015, vemos o empenho da Igreja em demonstrar sua preocupação e dedicação às famílias do mundo, através do Encontro Mundial das Famílias. O Papa Francisco tem oferecido diversas reflexões belas sobre o tema, sempre aprofundando na realidade simples, cotidiana e sagrada da vida familiar. Sem dúvida, ser família é um desafio para todos. Viver o perdão, a intimidade, a construção do outro, as lutas diárias, o abrir mão de si… Mas, em especial, quero falar sobre esse desafio na vida do músico e artista.

Nós, artistas, temos uma ligação intensa com nosso lado afetivo, com nossos sentimentos. E canalizamos isso diretamente para a música, para a arte. Quanto mais tempo dedicado à arte, mais intensa é essa conexão emocional. A música vai se tornando nosso ponto de refúgio, nossa forma de expressar sentimentos. E isso é maravilhoso, pois torna mais verdadeira e forte nossa expressão artística. O perigo está no desequilíbrio. Conheço diversos músicos que acabam direcionando tanto seus sentimentos para a música que se tornam frios e distantes em sua própria família… Vivem a ilusão dos palcos, dos admiradores (para não dizer fãs!), ou dos estúdios de gravação, e cada vez mais se tornam ausentes em casa. Fazem da banda, dos amigos de estúdio, sua nova família. E quando estão em casa, parecem estar com desejo de poder voltar para “seu lugar” de músico, para a missão. Preciso lhe dizer: isso é uma fuga.

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Foto: AnsonLu, 23313141, iStock.bygettyimages

É na família que encontramos quem realmente somos. É ali que nossa verdade tem espaço para vir à tona, e revelar o que já está construído, e o que ainda precisa ser curado, trabalhado em nós. Nossos familiares são um espelho para nossa alma. São eles que realmente nos amam, pois conhecem nossa verdade, nossas fraquezas e ainda assim estão ao nosso lado. É na família que aprendemos a lidar com os desafios da vida, vencer as dificuldades reais, amadurecer como seres humanos. É ali que colocamos em prática tudo que aprendemos do coração de Deus, tornamos real e humana nossa intimidade com o sagrado, a nossa fé.

É muito importante para o músico ser família

 

Ter um local para voltar após o show. Ter uma rotina de tarefas e obrigações cotidianas. Porque, enquanto estamos cantando, nos expondo, somos olhados e julgados pelo nosso servir, pelo que oferecemos como artistas. Mas, tudo aquilo é somente uma função, uma missão a ser exercida com os dons que recebemos de Deus, não é quem nós somos como pessoas. Precisamos voltar à realidade e ver a nossa verdade, nossas limitações, nossos pecados. E sermos amados assim. A família nos lembra de que somos só gente, como todos os outros, em processo de construção.

Se o matrimônio é sua vocação, entenda que ali é o local onde Deus escolheu para você, para fazer morada nessa terra. Ali é seu principal ponto de encontro com você mesmo e com Deus. Sua família precisa ser o local de sua verdade. Precisa ser seu refúgio. E quando assim acontece, a sua missão como artista se torna muito mais eficaz, muito mais verdadeira, pois reflete o que o povo também precisa viver.

A música pode ser uma grande ponte de conexão entre você e sua família. Use dela para unir, para se mostrar, para acolher, para demonstrar afeto. Reunir a família para cantar, tocar, ensinar seus filhos, brincar com eles… Compor músicas e melodias que demonstrem seu amor, seu carinho por eles. A música é um poderoso instrumento de união. Use-a para ampliar essa intimidade com os seus. Que seus melhores amigos, e sua mais amada platéia sejam os de sua casa.

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.: Ser mãe e servir a Deus por meio da música


Roberta Castro

Roberta Castro é Ginecologista e especialista em terapia familiar. Coordenadora do Ministério de Música e Artes da Renovação Carismática Católica no Estado do Espírito Santo.

Escritora pela editora Canção Nova

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