Uma reflexão sobre as tentações do músico católico

As tentações do músico católico à luz do deserto

Olá, querido leitor! Que Deus o abençoe!

Esse tema já foi trabalhado em outras épocas, mas ele sempre é atual. Por quê?

As tentações mudam? A lista de pecados aumenta ou diminui? A tentação em si não, o pecado também não, mas, com o passar do tempo, novas pessoas vão chegando para o serviço da música católica, e é importante tratarmos novamente desse assunto.

Créditos: Arquivo CN.

Você pode até pensar que as tentações são inúmeras, impossível de descrever, porém o Evangelho do primeiro Domingo da Quaresma nos dá uma luz.

Mateus, no capítulo 4,1-11 narra para nós as tentações de Jesus no deserto. Vamos meditar então um pouco sobre elas, fazendo um comparativo das tentações que nós músicos vivemos, e o melhor, como vencê-las.

Quando Jesus começou a ser tentado? Depois de jejuar, quando sentiu fome.

A carência e os apetites da carne após a missão

Querido músico, quando você está mais forte, o demônio sabe que você está em alerta; agora, quando chegam os desejos da carne…

A fome é um desejo natural do ser humano, e o enfraquece, deixa-o vulnerável. Aí, o demônio vê uma possibilidade, assim como fez com Jesus. Então, atenção aos desejos da carne, aos apetites da carne.

Como ter essa atenção? Vigiando e orando! Um exemplo: depois de um evento, você deu tudo, está cansado, esgotado, carente, pois fazer música exige todo o nosso ser. O demônio percebe isso e vem com suas propostas.

Diz o Evangelho que a primeira tentação foi justamente naquilo que Jesus estava mais precisando no momento: Comer. “Se és filho de Deus, mandas as pedras se transformarem em pão”.

O Demônio tenta Jesus a fazer milagres para Seu próprio bem, colocando a vontade de matar seu desejo como ponto importante. A proposta é desviar Jesus dos sacrifícios, das lutas, das dores, das tristezas e dos desafios. “Se és Filho de Deus”. Ou seja, utiliza dos benefícios de ser filho de Deus.

Talvez para você e para mim seja: utilize os benefícios de ser músico para dar-se o direito de não se doar ao povo, porque está cansado; de não se sacrificar, pois já deu muito no último show. De não ir à missa, pois terá que acordar muito cedo. E aqui vem o ato de aderir à tentação e dizer “Deus entenderá”, porque você é um ministro de música d’Ele.

A presunção de colocar Deus à prova pelo sucesso

A resposta de Jesus foi: Não só de pão vive o homem. E qual tem sido a sua resposta? Não só de missão, de música, de gravação, de prazer e satisfação vive o músico? Mas o músico é um cristão, um servo que vai enfrentar os desafios da vida sem perder o foco na santidade. Reflita sobre isso.

O diabo continua, ele leva Jesus à parte mais alta do templo e diz: “Se és Filho de Deus, lança-te e os anjos vão te segurar”.

Isso é o mesmo que colocar Deus em condições para servir-lhe; diferente da Providência Divina, onde eu me lanço sem esperar que Deus coloque os anjos para me segurar.

Perceba a sutileza da tentação: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces”.

A parte do” lança-te” é ótimo! Isso mesmo, vai para a missão, sirva a Deus, confia. Porém, a parte de Deus cabe a Ele. Você pode até rezar e pedir humildemente: “Senhor, salva-me”, como vemos o salmista e outros personagens bíblicos.

A idolatria do sucesso e a busca pela fama mundial

De forma prática, cobrar o Senhor pelo sucesso como pagamento pela sua dedicação, cobrar a Deus pela paz como pagamento pela doação, cobrar a Deus o reconhecimento como pagamento pelos investimentos feitos em instrumentos, cursos etc. Lança-te, sim, mas nas mãos da Providência Divina. Deixe que até os desafios sejam matéria-prima para Deus trabalhar. Reflita!

A terceira tentação é a mais clara, pois, quando o diabo está perdendo a guerra, ele mostra a cara, já que você não caiu na primeira nem na segunda. “Adore-me, pois tudo isso é meu, e darei a ti”, disse o diabo a Jesus.

A resposta foi de novo na palavra: Adorarás somente o Senhor teu Deus.

Para nós músicos, acredito que seja, hoje, também uma das tentações mais claras. Nesse tempo de sucesso da música católica, todos nós queremos ver nossas músicas tocando nas rádios, nos streamings, e queremos ter milhares de visualizações em nome da evangelização.  Porém, é preciso ter cuidado para que isso não se torne uma idolatria às realidades mundanas utilizando ferramentas religiosas. Na verdade, busco fama e sucesso, e não há pecado nisso; o problema é usar da evangelização para chegar ao topo, pois, na evangelização, o mais importante é o Evangelho, e não quem o prega.

Outro lado é a autocrítica que fazemos a nossa própria fé católica. Por exemplo: música católica é ultrapassada, não tem qualidade, não tem unção, não leva à oração etc. Pegamos o que a Igreja reconhece como grande e diminuímos de acordo com nossa visão mundana. Pois estamos baseados em fatores mundanos.

Com isso não quero “tapar o sol com a peneira”, de forma alguma, mas existe uma tentação que já levou muitos ao desânimo.

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O chamado ao recomeço e à confissão sacramental

Muitos não souberam dizer ao diabo que música é para elevar a Deus sobre todas as coisas, sendo esta simples ou não, muito ouvida ou não, um sucesso ou não. Ela, acima de tudo, é instrumento de adoração. Esses acabaram desanimando, abandonando…

Reflita sobre isso! E se o texto falou com você, se você se percebeu necessitado de confissão, busque, recomece e fique atento. Somos músicos para Deus.

André Florêncio
Músico e Membro da Comunidade Canção Nova

@andreflorenciocn
Youtube/@andreflorenciocn

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