VAMOS REFLETIR

Como está a música católica?

“Será que, um dia, viver da música na igreja católica será uma realidade”?

Estamos no tempo dos artistas católicos. E, ser artista é bom! No entanto, é preciso se ver como artista, assumir a sua arte. E com ela vem a parte boa: o reconhecimento; os palcos; aplausos, etc., mas, também, vêm os grandes desafios. Dentre eles: a descoberta das nossas misérias, tentações e é preciso vencer a cada uma delas, dia após dia.

Viver da arte é um sonho para muitos. Existem muitos artistas por aí, “ralando” para viver da sua arte. Destaco aqui, aqueles que fazem trabalhos belíssimos nas ruas, e não estão na televisão, rádios, não têm milhares de fãs nas redes sociais, esses vivem num certo anonimato. Admiro-os por fazerem com maestria a sua arte e viverem lutando como milhares de brasileiros.

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Foto: cancaonova.com

Será que, um dia, viver da música na igreja católica será uma realidade?
Nós ministramos a música em muitos lugares, eventos, igrejas, shows, etc., e nem sempre encontramos grandes condições, grandes palcos ou som excelente. Por vezes, encontramos pessoas que trabalham duro o dia todo, inclusive, aos finais de semana, esses dão o seu 100% na evangelização. Não são profissionais da área, não têm o apoio necessário, mas, como é bonito ver a “ralação” desse povo. Essa é a realidade da música católica hoje, e isso está mudando aos poucos.

Sou extremamente a favor de que possamos (cada vez mais) expandir a nossa evangelização, os ritmos e a boa música. Para isso, condições favoráveis são grandes armas porém, o que as pessoas procuram por aí não são só ritmos variados, boa música e uma qualidade incrível de luz e palco, elas procuram Deus. E, às vezes, estamos tão preocupados com nossa performance, com o custo do nosso trabalho e com a venda dos nossos produtos, que só oferecemos a essas pessoas: uma boa música, um evento bonito, emocionante, essa pessoa vira uma fã, e só isso. Ganhamos mais um seguidor, porém, e a alma dela? Será que levamos essa alma para Deus?

Bom seria se, com nossa música, nosso testemunho, levássemos as pessoas a serem fiéis seguidoras de Jesus, que ficassem com nossas músicas “na cabeça”, porque, foi por meio delas que Deus a tocou.

Foto: cancaonova.com

É justo, também, que haja um pagamento, pois, existem por parte dos músicos gastos como: aulas, instrumentos, transporte, alimentação, etc.. Mas, qual é o valor desse pagamento? O suficiente ou mais do que o suficiente? Será o quanto você precisa ou o quanto o “mercado” tem cobrado? E se não houver pagamento, irá à missão?

Muitas vezes, sem um instrumento ou sem as condições consideradas “adequadas”, você se recusa a exercer o seu MINISTÉRIO? Sabemos que essa é a realidade da música na igreja: nem sempre encontraremos todas as condições favoráveis.

Há anos sonhamos com que, a música católica, ganhe espaço, atinja mais pessoas, transforme mais vidas, como se fosse um batalhão avançando e conquistando território.
Temos um inimigo que é estrategista, trabalha no silêncio. Quando é expulso ele vai embora, mas, se encontra vazio o lugar do qual foi expulso, volta com 7 outros piores do que ele e faz coisas ainda mais terríveis. Diz o Papa Francisco “que ele faz isso com muita paciência”.

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Ele semeia desânimo: “a música católica está muito ruim”; semeia frustrações: “a música católica não muda, só os mesmos são evidenciados; você é tão bom e está aí, nessa ‘missinha’, nessa igrejinha”; semeia discórdia, espírito de competição. Ele diz que, cada vez mais, precisamos ser como o mundo; se não formos, não vamos alcançar as pessoas que estão nele, não vamos expandir a música católica, não vamos conquistar mais fiéis.              

Pronto! O objetivo dele está alcançado: fazer de nós músicos mundanos dentro da igreja. Com costumes do mundo, jeito do mundo, opções do mundo, em nada nos diferenciamos do mundo, nem no nosso pensar, tão pouco no sentir, muito menos no agir. Quem olha para nós não vê alguém de Deus, vê só mais uma pessoa, mais um artista.
Olha que interessante: vamos como um batalhão, avançando e “conquistando” território, mas, estamos mesmo fazendo essa conquista ou estamos nos misturando ao mundo e, em vez de trazermos as pessoas para Deus, estamos nos “mundanizando”? Pegue a Palavra de I Cor 9, 1-27, aqui coloco um trecho “feito tudo para todos, a fim de, ganhar a todos”. Leia, releia e entenda o que, de fato, ele quer dizer.

Retome sua vida em Deus, não existe músico católico que não vai à missa, não reza, não confessa, que tem opinião fora do que a igreja diz. Se você se enquadra nessas condições, o fato de tocar na igreja não te faz músico católico. Você é um músico, só isso!
Vamos ajustar nosso modo de vida, e você vai ver como a música católica vai crescer. O crescimento da música católica não depende das portas que se abrem, mas da força da oração do músico católico.
Profissionalismo não vai adiantar, se não houver conversão e oração por parte dos músicos.
Sejamos fiéis!


André Florêncio

André Florêncio, André Florêncio é músico, cantor, animador, instrumentista e missionário da Comunidade Canção Nova. Fez curso de aperfeiçoamento na EMESP, gravou seu cd solo “Meu encontro” e é autor do livro “Musica: chamado e serviço”.

 

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