Técnicas de gravação

Microfonando o violão no estúdio – Parte 1

Para microfonar um instrumento é necessário estar atento a alguns detalhes que fazem a diferença

Uma das coisas mais importantes, quando nos dispomos a microfonar um instrumento, é observar primeiramente como ele emite e projeta o som. Depois é preciso ver se existe a influência do ambiente na captação deste e, por último, se é possível atender aos dois primeiros itens.

Quando olhamos para um trompete, por exemplo, fica fácil observar de onde o som se projeta: da campana. Em um saxofone, porém, o som vem de suas várias aberturas, além da campana, o que torna o ato de microfoná-lo um pouco mais delicado. No caso do violão existe uma “pegadinha”, pois, pelo fato de seu corpo possuir uma abertura (“boca”), somos levados a pensar que este também é o melhor lugar de apontar o microfone neste instrumento. No entanto, é justamente o oposto.

O corpo do violão possui uma importante finalidade: ele amplifica o som emitido pelas cordas para que possamos ouvi-lo. E ele faz isso graças a um mecanismo de acústica chamado “ressonador de Helmholtz”, que precisa da abertura para funcionar e possui uma frequência de ressonância bem forte. Em outras palavras, comporta-se como uma garrafa de refrigerante, que, quando assoprada, emite um som em certa “nota”, isto é, essa é sua frequência de ressonância.

O resultado desta coisa complicada é que, a certa distância do violão, a sua sonoridade fica equilibrada, ao passo que, perto da boca do violão, existe uma forte presença dessa tal frequência de ressonância. Os fabricantes de violões costumam “afinar” o corpo do instrumento para que esta frequência seja um Fá # (185Hz) ou um Sol (196Hz), e isso faz com que o som captado perto da boca [violão] tenha sempre excesso nessa região.

A partir disso tiramos duas lições importantes: devemos evitar apontar o microfone para a boca do violão e, mesmo fazendo isso, provavelmente precisaremos tirar, durante a equalização, um pouco do 190Hz para compensar o fato de o microfone estar próximo ao instrumento.

Existem dois bons lugares para se apontar o microfone no caso do violão. O meu preferido é o ponto onde o braço se conecta ao corpo (décimo-segundo traste no violão de nylon e décimo-quarto no violão de aço). Este lugar produz um som equilibrado e aveludado, preservando o conteúdo harmônico. O segundo melhor lugar é apontando diretamente para a ponte. A sonoridade aí não é tão brilhante, e apresenta uma leve acentuação das médias e da percussividade, mas costuma dar bons resultados também.

A distância usual do microfone até o instrumento é de 30 a 60 cm, devendo ser tanto mais perto quanto mais “viva” quanto for a sala. Na próxima oportunidade, falaremos mais sobre distâncias e pontos de vista do músico e do ouvinte no caso dos violões.

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Fábio Henriques

Formado “cum laude” pela UFRJ em 1985. Após trabalhar durante 8 anos como engenheiro de hardware e software, cursou Recording Engineering na The Recording Workshop, USA, onde pôde unir sua formação musical com a tecnologia.

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