O financiamento coletivo e a música católica: quem tem medo?

No início de 2014, eu contei ao Filipe Freire, integrante da Banda Dom, sobre esta iniciativa: financiamento coletivo. “Uma vaquinha?”, perguntou-me o parceiro de estrada e baterista Joel Bertolini. Não, não era uma vaquinha. A proposta ia além de simplesmente ajudar quem precisava apenas por bom coração. Tratava-se de utilizar os meios digitais para mobilizar seu público, sua audiência.

Logo em seguida, surgiu o projeto do segundo CD de Bruno Camurati, ‘DesFarsa’, lançado em uma plataforma de financiamento coletivo. Mais de R$ 30.000,00 arrecadados com a participação de 438 pessoas. Foi um ponto fora da curva? O financiamento coletivo pode ajudar a produção da música católica? Como se preparar e implementar uma campanha assim?

Foto: Daniel Mafra/Eduardo José

O que é financiamento coletivo?

De forma simples e objetiva, o financiamento é uma proposta, utilizando o universo digital de possibilitar o apoio financeiro de quem quer ver seu projeto realizado. A diferença da “vaquinha” é que o apoio é dado em troca de uma recompensa. Para cada valor, existe uma recompensa equivalente e proporcional. Nos projetos musicais, a principal recompensa é o CD autografado enviado pelo correio (ou entregue em mãos) para o apoiador. Também é comum que os apoiadores tenham seu nome citado nos agradecimentos dos álbuns.

É muito fácil? Não. Mas o que é fácil na evangelização por meio da arte?

Cley Souza, cantor católico do Rio de Janeiro (RJ), que teve seu CD viabilizado por financiamento coletivo, em 2015, conta que a pressão psicológica, ao longo dos 60 dias de campanha, foi intensa!. “Por vezes, pensei que não conseguiria”, partilhou ele comigo.
Nessas horas, a família e os amigos são fundamentais. Lucas Medrado, cantor de Brasília (DF), que fez um projeto de financiamento coletivo para seu primeiro CD ‘Simples Assim’, lembra que “o financiamento coletivo é uma experiência de imersão na confiança em Deus”.

“A vida de oração é imprescindível, pois só em Deus conseguimos forças para alcançar nosso objetivo, e caso não consigamos atingir a meta, Deus sempre será nosso maior conforto”, Lucas Medrado.

“Ora como se tudo dependesse de Deus e trabalha como se tudo dependesse de você!”

Como fazer uma campanha mais eficiente? Meu conselho: dê atenção a tudo, especialmente aos detalhes! Do outro lado da tela, não existe um número, CPF ou conta bancária; há uma pessoa. Explique o projeto, seja rico em detalhes, tenha calma, tranquilidade e tempo.

Veja mais:
:: Gravei um CD e agora? – produzindo capa e material gráfico ::
:: Making Of – Clipe Rainha (Pitter di Laura) ::

“É preciso compreender o projeto antes, para que você não tenha surpresas que poderiam ser previstas antes do lançamento!”, diz Walace Souza, cujo CD ‘UM’ veio de um projeto de financiamento coletivo em 2016.

Lembre-se de que tudo é sempre criado duas vezes. A primeira vez, acontece dentro de nós, em nosso pensamento. Elabore a campanha com riqueza de detalhes:
1 – descreva bem o orçamento do projeto;
2 – converse sobre o projeto (mesmo antes de ele ir para o ar) com o maior número de pessoas que conhecem você e sua música;
3 – entenda bem para quê. Você está apresentando seu projeto (família, amigos, fãs, gente da sua paróquia ou grupo de oração, conhecidos das redes sociais etc);
4 – comunique em tudo! Cuide do vídeo de divulgação do projeto, das imagens utilizadas nas redes sociais, dê atenção a cada palavra escrita nos textos dirigidos ao seu público-alvo;
5 – seja grato! Gratidão é fundamental! Agradeça sempre a todos que o apoiaram, que escutaram seus intensos pedidos de apoio ao projeto;
6 – saiba definir, com pé no chão, os valores possíveis de serem arrecadados e os prazos definidos;
7 – seja criativo! Essa é uma das maneiras mais fortes de conseguirmos nos diferenciar na avalanche diária de informação digital a que estamos expostos. Seja criativo! Nas recompensas, nos agradecimentos, em tudo!

“Muitas pessoas entram no site e conhecem o projeto, mas quem apoia é quem se sente parte dele. É preciso gerar isso nas pessoas!”, conta Elizandro Sfreddo, cujo CD ‘Algo Além’ veio de um projeto de financiamento coletivo de 2017.

Sugestão de documentário sobre financiando coletivo

Agradecimentos Cley Souza, Walace Souza, Lucas Medrado, Elizandro Sfreddo, Bruno Camurati e Lize Borba.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo