Saiba

Saiba como é feita a pré-produção de um CD católico

É importante que haja um fio condutor, uma unidade estilística não só de conteúdo, como também de forma.

Partindo do princípio de que já dispomos de um repertório interessante, o próximo passo é a etapa de pré-produção. Fase que deve acontecer o mais cedo possível, visto que, quando bem feita, ajuda não somente a obter um bom resultado artístico, como também permite que se gaste menos tempo com um orçamento menor.

Na pré-produção devemos primeiramente elaborar um conceito, pois um álbum não é uma mera coleção de músicas. É importante que haja um fio condutor, uma unidade estilística não só de conteúdo, como também de forma. As músicas precisam de variedade para que o disco não se torne cansativo; contudo, também é fundamental que o ouvinte identifique a sonoridade geral da obra. O tema geral das letras também precisa ter certa coerência, principalmente em um disco católico.

Para exemplificar, tomemos o CD “Transfiguração” do Dunga, e “A Força do Amor” de Márcio Todeschini. Eles reúnem bem essa ideia de disco conceitual. Desde a concepção dos arranjos até a escolha dos timbres dos instrumentos, tudo foi pensado para fazer parte de algo maior do que o universo de cada música. E não falta diversidade de estilos e climas nestes dois trabalhos.

Como produzir um CD catolico

Uma vez definida a base temática – que pode partir do repertório ou pode realmente determiná-­lo – pode-­se agora imaginar o tipo de arranjo e as necessidades artísticas e técnicas do álbum. Se for o trabalho de uma banda, os músicos já estarão definidos; mas, no caso de um artista solo, é esta a hora de escolher quem vai participar do trabalho, inclusive de avaliar se vão ser usados metais, cordas, percussão, e se algo será programado, entre outros. Deve-se definir também o tipo de estúdio a ser usado e que profissionais de áudio serão chamados a participar, e prever os tempos de execução de cada etapa.

No caso de músicos com menor experiência de estúdio, leve sempre em conta a “síndrome da luz vermelha”, que faz com que o músico se sinta inibido ao ver acender a luz de REC e produza menos do que normalmente o faz. Isso tende a aumentar o prazo previsto para a execução do trabalho, mas é normal e sempre acontece. Além disso, o cantor sempre ficará gripado na semana de colocar voz no CD.

Não se deve se esquecer também dos aspectos de produção executiva, que são as despesas de transporte, alimentação, cachê de músicos e, principalmente, as questões relativas a direitos autorais. Tudo isso deve ser bem planejado para que não ocorram surpresas inesperadas ao longo do processo. Porém, nós precisamos ter consciência de que sempre acontecerá algo que não foi previsto, e devemos estar prontos para isso.

Com toda a primeira parte da pré-­produção feita, será finalmente a hora de nos concentrarmos na música em si, e podemos começar os arranjos.


Fábio Henriques

Formado “cum laude” pela UFRJ em 1985. Após trabalhar durante 8 anos como engenheiro de hardware e software, cursou Recording Engineering na The Recording Workshop, USA, onde pôde unir sua formação musical com a tecnologia.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

Este conteúdo foi plublicado na(s) categoria(s) Formação.
↑ topo