Durante os próximos 50 dias, da Páscoa até
Pentecostes, a Igreja Católica vive um sentimento de profunda alegria. É a celebração da ressurreição de Jesus Cristo, que venceu a morte e nos libertou das trevas do pecado. O semblante e o clima mudam, pois a música deve acompanhar a liturgia em cada fase. Assim como a vida, o ano litúrgico passa por momentos que marcam a história de cada fiel.
Durante o ano litúrgico da Igreja, seja ele ano A, B ou C, há um tempo para cada momento da vida de Cristo. O Tempo Comum é marcado pela vida pública de Jesus. A Quaresma foca na preparação e na penitência, enquanto o Tempo Pascal celebra a ressurreição.
O Tempo do Advento prepara o nascimento de Cristo e o Natal celebra sua chegada. Segundo a Igreja Católica, o Natal traz duas dimensões: a primeira vinda de Cristo e sua segunda vinda gloriosa. Entender essas fases é essencial, pois a música deve acompanhar a liturgia para expressar cada mistério.
“A Santa Mãe Igreja considera seu dever celebrar com uma comemoração sagrada, em determinados dias do ano, a obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou Domingo, celebra a memória da ressurreição do Senhor, como a celebra também, uma vez no ano, na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua bem-aventurada paixão. E distribui todo o mistério de Cristo pelo decorrer do ano (…). Comemorando assim os mistérios da Redenção, ela abre aos fiéis as riquezas das virtudes e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar de algum modo presentes a todos os tempos, para que os fiéis, em contato com eles, se encham da graça da salvação.” (Parágrafo 1.163 CIC).
As mudanças das músicas no Tempo da Quaresma para o Tempo Pascal
Com a sonoridade não seria diferente. Ela passa por mudanças de estilo, pois a música deve acompanhar a liturgia e seu espírito. Na Quaresma, a musicalidade era marcada por sons sóbrios, buscando o silêncio e o recolhimento.
No período pascal, é comum o uso de músicas animadas pela alegria da ressurreição. Mais próximo de Pentecostes, introduzem-se cantos sobre o Espírito Santo. Um exemplo prático é a música “Porque Ele vive”, muito usada nas celebrações das Oitavas de Páscoa.
Agora você sabe o porquê da ausência do “Glória” e do “Aleluia” na Quaresma?
Eles voltam no Tempo Pascal para marcar a vitória de Deus. O “Glória” é um hino de louvor, e o “Aleluia” significa louvor ao Senhor.
“Na Quaresma, o ‘Aleluia’ fica engasgado porque vivemos o período do exílio; ainda não é a vitória”, afirma Willamys Bernardo, seminarista da Comunidade Canção Nova.
Assim, na Vigília Pascal, o retorno do “Aleluia” mostra como a música deve acompanhar a liturgia em resposta à vitória de Jesus.
O significado da sequência pascal presente na liturgia
Na Missa de Páscoa, existe uma sequência cantada após a segunda leitura. Você já reparou nela? Talvez você já tenha até preparado essa música em sua paróquia. Mas você sabe qual é o seu significado?
Conhecida como Victimae Paschali Laudes, este é um dos hinos mais antigos da Igreja. É um poema que convida os cristãos a louvar a Vítima Pascal. O texto narra o túmulo vazio e o testemunho de Maria Madalena. É um exemplo claro de como a música deve acompanhar a liturgia de forma profunda.
O missionário Willamys Bernardo acrescenta: “A sequência expressa o cântico do coração do povo liberto. É um cântico para que todos ouçam a vitória de Cristo”. Não é apenas uma canção, mas uma peça litúrgica com propósito teológico.
Atenção à Liturgia!
É importante que o músico católico entenda que, assim como a volta do Glória e da aclamação, a Sequência do Domingo de Páscoa tem um porquê, assim como cada música que você seleciona para ser cantada e tocada na Missa. Ainda é comum, hoje, encontrar muitos ministros de música despreparados, que chegam para servir ao Senhor e tocam só aquilo que já sabem e não têm zelo com a liturgia eucarística. Com o papel que o ministro de música tem de ser o primeiro canal de contato entre o fiel e Deus, a música precisa caminhar junto com a liturgia, para que a celebração como um todo esteja em harmonia.
“As músicas da liturgia precisam nos levar a voltar o nosso coração para o céu, para a realidade da ressurreição, como também às alegrias de buscar a Deus, de ser cristão, de viver a alegria em Deus. Não tem algo escrito dizendo que precisa ser assim, mas as músicas precisam nos ajudar a mergulhar no mistério celebrado daquele tempo pascal”, partilha Willamys Bernardo, seminarista e missionário da Comunidade Canção Nova.