Eu te seguirei, Senhor!

Olá! Deus abençoe você e seu ministério. Quero refletir um pouco com você sobre seguir Jesus nos dias atuais. O Evangelho de Lc 9,57 diz: “Alguém na estrada disse a Jesus: ‘Eu te seguirei para onde quer que fores’”.

Foto: Daniel Mafra

Esse alguém, na estrada, somos ou seremos nós, com o coração cheio de vontade, extremamente empolgados com o que vivemos com Ele, com o que vimos Ele fazer e com o que imaginamos que Ele pudesse fazer ainda. E dizemos: “Eu te seguirei, Senhor!”.

“Naquele tempo, enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: ‘Eu te seguirei para onde quer que fores’. Jesus lhe respondeu: ‘As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça’. Jesus disse a outro: ‘Segue-me’. Este respondeu: ‘Deixa-me, primeiro, ir enterrar meu pai’. Jesus respondeu: ‘Deixa que os mortos enterrem os seus mortos, mas tu, vai anunciar o Reino de Deus’. Um outro ainda lhe disse: ‘Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares’. Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus’.” (Lucas 9,57-62)

O interessante é que Jesus nunca nos engana. Continua o Evangelho, no mesmo capítulo, versículo 58, relatando o que Ele respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. O que esperamos quando seguimos o Senhor? Segui-Lo é caminhar rumo à cruz e tomá-la para nós.

Acredito que todos nós vivemos momentos difíceis e também momentos de glória. Isso é normal dentro da vida de qualquer pessoa. O problema é que nos acostumamos às glórias e não nos dispomos mais a viver o peso da cruz. Por isso, vamos adaptando o nosso modo de vida e seguimento a Cristo.

Precisamos estar atentos para não ficarmos um tanto quanto secularizados (fazer voltar ao século, à vida leiga, aquilo que pertencia à vida religiosa). Coisas às quais renunciamos há um tempo, mas, hoje, voltamos a realizá-las, porque dizemos que não era bem assim, éramos imaturos na fé; agora, no entanto, temos mais conhecimento. Esquecemos o objetivo principal por causa do objetivo secundário.

Posso dizer objetivo principal como a evangelização firme e radical; e objetivo secundário como a popularização do meu trabalho e os bônus que isso me traz. Dizemos que seguimos o Senhor, mas não queremos mais ser profetas, não queremos mais denunciar as obras do mundo, secularizamos nossas ideias, deixamos para trás uma vida radical e passamos a viver de forma mais “light”. Essas atitudes não nos trazem muitos benefícios. Quem quer ser como João Batista e acabar com a cabeça em um prato?

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Temos de tomar cuidado, porque, quando aceitamos, como Pedro, o convite de sermos pescadores de homens, passamos a lançar a rede e puxar “peixes” e entregá-los ao Senhor. Será, no entanto, que não estamos puxando os peixes e ficando com eles, “doutrinando-os”? Não estamos deixando de ser iscas para sermos alimento ao povo?

Veja a gravidade disso: éramos, com a nossa música, iscas pop, rock, samba, reggae, heavy metal etc. Cantávamos e tocávamos, impulsionados por aquele encontro pessoal com Jesus, que mudou nossa vida. Dizíamos: eu te seguirei, Senhor. Então, mudamos nosso modo de nos vestir, de agir e falar; percebemos que, com aquele ritmo e/ou estilo musical, que um dia era motivo de pecado para nós, hoje, poderíamos resgatar vidas. Passado o tempo, começamos a voltar em certas decisões, e como já somos mais sábios e informados, conseguimos embasamento de acordo com nosso ponto de vista para voltar a ouvir certas canções que deixamos de ouvir, frequentar lugares que não íamos mais etc. Agora, temos um embasamento, somos maduros, cultos. Antigamente, vivíamos da empolgação. Usamos até jargões, coisas de carismático, coisas de pessoas empolgadas, de gente imatura na fé e por aí vai.

Eu te seguirei, Senhor! Isso requer firme decisão, firme propósito. O verbo deixar é muito usado na vida daqueles que querem seguir o Senhor. Se deixamos, ficou para trás, faz parte da nossa história, do passado, e com ele precisamos buscar a cura ou fazer disso um testemunho.

Fechando essa nossa reflexão, quero tomar, ainda no Evangelho de Lucas, capítulo 9, o versículo 62: “Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus’”.

Deus abençoe seu ministério.


André Florêncio

André Florêncio, André Florêncio é músico, cantor, animador, instrumentista e missionário da Comunidade Canção Nova. Fez curso de aperfeiçoamento na EMESP, gravou seu cd solo “Meu encontro” e é autor do livro “Musica: chamado e serviço”.

 

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